Assessoria de imprensa: contratar uma agência ou fazer in-house?

Você sabe como é feito o trabalho de uma agência de assessoria de imprensa (ou PR, de Public Relations como é conhecido no meio corporativo) e as implicações dele para sua empresa?

Segundo a Associação Brasileira de Relações Públicas,  esta “é a atividade e o esforço deliberado, planejado e contínuo para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou privada e os grupos de pessoas a que esteja ligada direta ou indiretamente”.

De forma sucinta, são os esforços de uma empresa para se comunicar com o mercado e os diversos públicos com os quais ela se relaciona.

Neste texto, vou abordar o trabalho de PR como uma ferramenta de marketing e a partir de ações de assessoria de imprensa. Além disso, um profissional de relações públicas pode atuar na comunicação junto a funcionários e clientes, na organização de cerimoniais e protocolo, produção de materiais de comunicação interna, relacionamento com comunidades, junto ao setor governamental etc.

Assim como a propaganda, as redes sociais, o merchandising, eventos e outros canais, o trabalho de relações públicas é fundamental para a construção de uma marca e seu posicionamento no mercado (para saber mais sobre como se posicionar, leia o post Como Executar Ações de PR Inovadoras Para sua Startup).

Mais do que isso, os resultados gerados junto à imprensa têm maior credibilidade, pois não possuem investimento direto envolvido. Soam como depoimentos legítimos sobre sua marca ou produto.

Agência ou in-house?

O dia em que sai como porta-voz na Folha de S.Paulo. Resultados da parceria com uma agência de PR.

Para um gestor de marketing e considerando o orçamento disponível, a grande dúvida é: “Contrato uma agência de assessoria de imprensa ou um profissional para fazer o trabalho in-house?”.

Ambos os modelos possuem vantagens e desvantagens que precisam ser analisados a partir do momento da empresa, objetivos de marketing  (lançamento no mercado, reposicionamento de marca, novos produtos, busca por incremento de vendas etc) e expectativa de resultados.

É comum o caso de empresas que contratam uma agência de relações públicas por um período curto, de até um ano, com foco apenas em uma divulgação e posicionamento inicial no mercado (caso de startups e algumas empresas digitais internacionais que chegam ao Brasil).

Outras adotam a mesma estratégia e, satisfeitas com os resultados e crescimento, permanecem com ela, apostando no relacionamento com a imprensa.

Um terceiro grupo, por outro lado, prefere tornar interno o trabalho de PR, apostando em um maior alinhamento entre os objetivos da organização, demandas internas e resultados gerados.

Levando em relação somente os custos, fica difícil direcionar a decisão, pois, assim como há agências para todos os bolsos, há profissionais com diferentes níveis de qualificação e diferentes pedidas salariais.

Vejamos as vantagens e desvantagens de cada modelo:

In-house

Vantagens:

  • Profissional dedicado 100% à sua empresa;
  • Possibilidade de aproveitamento em outras áreas, como mídias sociais, conteúdo, comunicação interna, endomarketing, eventos etc.;
  • Melhor relacionamento com porta-vozes e executivos, o que permite melhor capacidade de orientação;
  • Maior conhecimento do produto e processos internos.

Desvantagens:

  • Assume custo com ferramentas, como assinatura de mailling;
  • Custo fixo com a contratação de um profissional;
  • Menor ocorrência de pautas colaborativas, aquelas nas quais o jornalista procura empresas para contar uma história;
  • Capacidade menor para gestão e atendimento em momentos de crise.

Agência

Vantagens:

  • Volume maior de solicitações para pautas, uma vez que jornalistas sempre recorrem a assessores para construir histórias;
  • Melhor para momentos de lançamento, que demandam alto relacionamento com a imprensa;
  • Ideal para empresas com orçamento enxuto, como startups, que irão utilizar o serviço por períodos menores;
  • Melhor capacidade para gestão de crises.

Desvantagens:

  • Com frequência, um mesmo executivo atende vários clientes;
  • Menor alinhamento entre processos internos e objetivos de mídia;
  • Dedicação menor para serviços não inclusos no escopo.

Startups e PR

Com o último boom do mercado de startups na virada da década passada, uma nova leva de agências voltadas para esse segmento surgiram com o objetivo de fazer a ponte entre os empreendedores e os veículos de comunicação.

Cobrando honorários proporcionais aos orçamentos das novas empresas, essas agências geraram excelente resultados pois realizaram um casamento perfeito, oferecendo a empreendedores e jornalistas exatamente o que eles procuravam: exposição e histórias de novos negócios no segmento digital.

Abaixo, listo algumas delas:

  • NR-7: baseada em São Paulo e liderada por Nelson Rodrigues, assumiu contas de algumas das principais empresas estrangeiras que desembacaram por aqui, como Airbnb, Restorando, Adyen e SurveyMonkey.
  • La Presse: liderada pelas jornalistas Luana Weitzel e Yngrid Volkenandt e baseada no Rio de Janeiro, a agência já atendeu clientes como a Habitissimo, Anjos do Brasil, Start You Up e a consultora Talita Lombardi.
  • Tagarela: com escritórios em São Paulo e no Rio, a Tagarela busca se diferenciar por um posicionamento mais descontraído e inovador. Tem como clientes Endeavor Brasil, We do Logos e Performa Investimentos.
  • Agência Ideal: Fundada em 2007, a Ideal ampliou sua projeção após ganhar a concorrência para gerenciar o trabalho de relações públicas do Google no Brasil. Hoje, atende marcas como Baidu, Instagram e Spotify, além de ter diversificado a área de atuação.
  • FirstCom: mais experiente do que as concorrentes, a FirstCom já possui 14 anos no mercado, tendo como clientes marcas como Buscapé, ebit, Atômico e iG.

* Para mais referências sobre agências independentes para startups, recomendo este post no grupo Startup Brasil, onde uma série de empreendedores dão o feedback sobre suas agências.

Além das agências independentes, há também as internacionais e nacionais estabelecidas, como FSB, Burson-Marsteller, S2 Publicom, Ogilvy, Ketchun, Edelman Significa,  In Press, entre outras, recomendadas para companhias de grande porte e com demandas mais complexas.

Como conclusão, podemos afirmar que não há um modelo definido para a decisão de tornar interno ou externo o trabalho de PR, mas sim uma série de fatores, como a estratégia de marketing da organização, orçamento disponível, objetivos a curto, médio e longo prazo, que devem ser levados em conta.

Todos eles devem ser considerados ao se decidir pela contratação de um profissional de relações públicas ou por uma agência a fim de se tomar a decisão mais assertiva.

Espero ter colaborado 🙂

Boa sorte!