Vou te explicar.

Se você assim como eu está na faixa dos 30, provavelmente foi bombardeado pelo conceito nos anos 90.

Na segunda metade da década eu era um adolescente se preparando para o vestibular.

E toda hora eu ouvia que a inteligência racional não importava mais para o sucesso. O que valia agora era a inteligência emocional.

A Veja, a Silvia Poppovic, a Marília Gabriela, a Leda Nagle, a minha mãe. Todas repetiam isso como um mantra.

E você quer saber? Elas estavam certas…

Você pode ser um crânio, aprovado em primeiro lugar em medicina na USP, mas se não souber lidar com suas emoções, o jogo não estará a seu favor.

Por outro lado, você pode ser o último chamado da lista de espera do vestibular, mas se tiver consciência das emoções, o caminho estará aberto.  

Acredite, a inteligência emocional pode definir a sua vida! Ela atinge diretamente a sua empregabilidade

A boa notícia é que o seu quociente emocional pode ser desenvolvido em qualquer idade. Mas o melhor é não esperar. A seguir vou te mostrar:

  • como a inteligência emocional influencia nossa trajetória rumo ao sucesso
  • as cinco categorias que a compõem a IE
  • como as emoções agem em nosso cérebro
  • como líderes usam a Inteligência Emocional para extrair o melhor de suas equipes.
  • as 12 competências necessárias para você se destacar em todas as áreas da sua vida

Saia da zona de conforto e comece já. Let’s go!

O que é inteligência emocional?

Inteligência emocional é a capacidade de identificar e gerenciar nossos próprios sentimentos para nos motivar, acalmar, alegrar, atingindo nossa melhor performance e inspirando o mesmo nas pessoas em nosso redor.

Charles Darwin escreveu sobre a importância da expressão das emoções para a adaptabilidade humana no século XIX.

Em 1920, um cientista americano cravou o termo “inteligência social”. Em 1983, surgiu a teoria das inteligências múltiplas.

Mas foi Daniel Goleman, com o livro “Inteligência Emocional“, em 1995, que o termo inteligência emocional explodiu para as massas.

Segundo Goleman, a inteligência emocional é formada por cinco categorias principais:

inteligencia emocional o que é

a. Autoconsciência

É a chave da inteligência emocional. Quando não conseguimos ler nossos sentimentos, perdemos o autocontrole.

Se você reconhece os gatilhos que disparam suas emoções, pode mitigá-los.

Isto tem a ver com mindfulness.

b. Controle Emocional

Uma vez que você conhece suas emoções, pode passar a controlá-las.

Você precisa aprender a lidar com seus sentimentos para se recuperar em momentos de tristeza, angústia ou raiva e conter-se em momentos de euforia.

c. Consciência Social

A empatia nos permite ler os sinais do outro, se colocar em seu lugar e saber o que querem.

A empatia é fundamental para a gestão e liderança de pessoas.

d. Gestão de Relacionamentos

É a habilidade de interpretar, se adaptar e guiar as emoções dos outros.

As pessoas com bom relacionamento interpessoal se saem bem em qualquer situação onde interagem com outras pessoas.

e. Automotivação

É a capacidade de dirigir suas emoções rumo a um objetivo ou realização pessoal.

As pessoas que têm essa capacidade tendem a ser muito mais produtivas e eficazes no dia a dia.

Junto com Richard Boyatzis (o Richard é o autor do curso de Inteligência Emocional que eu fiz), Goleman elaborou o Inventário de Competências Emocionais e Sociais (ESCI).

No ESCI, a Automotivação foi traduzida em forma de resultado como Performance.

A performance seria o resultado combinado das habilidades emocionais. Assim temos o seguinte esquema:

inteligencia emocional: competências pessoais e competências sociais

 

Como as emoções agem em nosso cérebro

Assim como em um homem de neanderthal, as nossas emoções superam os nossos pensamentos.

Basta ver o que você faz quando está apaixonado.

Você é capaz de dar um iPhone para a sua amada e reclamar de carregar o pré-pago da sua mãe.

Racionalmente isso faz sentido? Nem um pouco.

Mas emocionalmente você acredita que está conquistando sua musa enquanto sua mãe ficar sem crédito tem menos importância.

O ser-humano possui dois sistemas nervosos responsáveis pelo comportamento: o Sistema Nervoso Simpático (SNS) e o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP).

Emoções negativas ativam o Sistema Nervoso Simpático. Emoções positivas alimentam o Sistema Nervoso Parassimpático.

O Sistema Nervoso Simpático (SNS) é ativado em situações de estresse.

O SNS prepara o homem para sobreviver. O que você faz quando está sofrendo uma ameaça? Corre ou luta.

O SNS não é ruim. Ele é fundamental para nossa sobrevivência. É puro instinto. O problema é quando permanece ativo além da conta nos tornando pessoas ansiosas e reativas.

Algumas emoções que ativam o SNS:

  • Ansiedade
  • Antipatia
  • Egoísmo
  • Frieza
  • Hostilidade
  • Ira
  • Mau-humor
  • Medo
  • Preocupação
  • Raiva

Já o Sistema Nervoso Parassimpático, oposto ao SNS, está para o descanso e a digestão.

Por meio da liberação da acetilcolina, o SNP conduz a pessoa ao estado de calma anterior a uma situação de estresse, tornando-a mais relaxada, criativa e com maior empatia.

Algumas emoções que ativam o SNP:

  • Alegria
  • Amizade
  • Amor
  • Bondade
  • Carinho
  • Empatia
  • Esperança
  • Felicidade
  • Prazer
  • Saudade
  • Simpatia

Veja o quadro para entender melhor:

inteligência emocional e sistema nervosoLegal, né? Mas não é só isso…

Emoções são contagiosas 

Até aqui você aprendeu que a Inteligência Emocional se popularizou nos anos 90.

Que ela é formada por cinco categorias (autoconsciência, controle emocional, consciência social, relacionamento interpessoal e automotivação).

E como as emoções agem em nosso cérebro e corpo.

Agora vamos ver como as emoções se propagam.

Assim como a gripe, as emoções passam de uma pessoa para outra.

Ou melhor, as emoções de uma pessoa ou grupo tendem a contagiar a outra, que espelha o grupo em volta. Veja o exemplo:

É sábado de manhã e você está animado porque vai ao casamento do seu amigo.

Mas antes disso, você recebe uma mensagem no Whatsapp avisando que a avó de um outro amigo morreu.

Você vai passar no velório antes do casamento.

Você sai de casa bem vestido e perfumado, chega ao velório e fica pra baixo ao lado de todas aquelas pessoas tristes.

Você cumprimenta seu amigo e chama um Uber para o casamento ainda chateado.

Então você chega ao casamento e começa a se animar ao ver todas as pessoas felizes. No fim você termina a noite alegre junto com seus amigos.

Viu como as emoções podem ser contagiosas?

Este conceito foi apresentado em 1993 no estudo Contágio Emocional e se tornou referência.

Ele pode ser definido como o processo de imitação inconsciente de células-espelho (nós) das emoções do outro.

Assim se produz uma experiência emocional simultânea e alinhada com a original.  

Já no estudo “Carisma, Emoções Positivas e Contágio de Humor“, outros dois pesquisadores perceberam que líderes carismáticos utilizam o humor para cativar seus seguidores. (ESTE É O SEGREDO DO SUCESSO!).

Estas pesquisas mostraram que pessoas emocionalmente inteligentes são melhor avaliadas por seus pares e por superiores em relação a:

  • Sociabilidade
  • Interação positiva
  • Contribuição para o ambiente de trabalho
  • Tolerância ao estresse.

Também mostrou que pessoas que trabalham com líderes com humor positivo apresentavam maior nível de humor positivo.

Como vimos com os Sistemas Nervosos Simpático e Parassimpático, as emoções andam de mãos dadas com a neurociência.

E o mercado hoje anda de mãos dadas com a neurociência.

Dúvida? Então veja…

Inteligência Emocional no trabalho

O ex-engenheiro do Google Chade-Meng Tan criou o programa Search Inside Yourself (Busque Dentro de Você Mesmo), que combina mindfulness (ele de novo), inteligência emocional e neurociência.

O Search Inside Yourself  ensina técnicas de foco, autoconsciência e resiliência para que as pessoas possam criar um mundo melhor para si mesma e para os outros.

Nas palavras de Meng:

“Em muitas situações, o bem é bom para os negócios. Se você, como chefe, é bom com seus funcionários, eles serão felizes, tratarão seus clientes bem, os clientes ficarão felizes e irão gastar mais. Logo, todos ganham.”

“Além disso, se você tratar todos com gentileza, eles gostarão de você, mesmo que realmente não saibam o porquê. E se eles gostam de você, eles irão querer ajudá-lo a ter sucesso. Isso é bom para sua alma e é bom para sua carreira.”

É o mesmo que diz o Eduardo Tracanella, VP de marketing do Itaú:

E eles não dizem isso porque pensam desta forma, mas porque promover o bem gera melhores resultados.

Isto é Inteligência Emocional!

Mas como ser uma pessoa energizante, que alegra o ambiente e que todos querem trabalhar junto?

Isso é o que nós vamos ver em seguida…

As 12 competências  da inteligência emocional

Agora vamos ver como VOCÊ pode usar 12 competências para se tornar um LÍDER em qualquer área da sua vida.

Você lembra que o ESCI divide a Inteligência Emocional em quatro categorias + performance, certo?

Pois bem, as 12 habilidades que formam a Inteligência Emocional estão divididas dentro destas quatro categorias.

Veja a tabela:

as 12 competências que formam a inteligência emocional

Boom! Mind blowing…

Percebeu como cada uma das quatro categorias se divide em uma série de habilidades?

E tudo parte da percepção das emoções. A percepção das emoções é a raiz da inteligência emocional!

Ao mesmo tempo, cada competência emocional e social é única e insubstituível. Mas estão todas relacionadas.

Para atingir o Autocontrole emocional, primeiro você precisa desenvolver a Autoconsciência das emoções.

Otimismo + Adaptabilidade são duas meninas que caminham de mãos dadas no recreio da escola.  

Consciência organizacional + Influência + Liderança inspiradora fazem parte da mesma feijoada.

E por aí afora…

Agora vou te mostrar o que são e como funcionam as 12 habilidades emocionais que você precisa desenvolver para obter sucesso em todas as áreas da sua vida!

1. Autoconsciência Emocional

Ponto de partida da inteligência emocional. É a capacidade de identificar nossas próprias emoções e os seus gatilhos.

Esta habilidade está totalmente relacionada com a atenção plena e prática de mindfulness.

Tanto é que a Terapia Dialética Comportamental, recomendada para o tratamento de pessoas com Transtorno de Personalidade Limítrofe (borderline), se baseia no mindfulness.

Por isso recomendo que você aprenda como funciona a atenção plena para desenvolver o autoconhecimento emocional.

2. Autocontrole Emocional

É a capacidade de manter as emoções e impulsos sob controle em condições de estresse, pressão ou euforia.

Uma vez que você identifica suas emoções, você se torna capaz de gerenciá-las, questionando e desativando seus gatilhos.

Não é possível sufocar a origem das emoções, mas você pode questioná-las a fim de entender se elas realmente fazem sentido.

Exemplos:

  • “Será que vale a pena eu ficar estressado por isso?”.
  • “Ok, isto me deixa nervoso, mas será que devo passar todo o dia me desgastando com isso”.
  • “Isso me dá raiva. Vou canalizar esta raiva para fazer algo produtivo”.

3. Orientação para Realização

É quando você se desafia para se desenvolver em suas atividades a cada dia superando seus padrões rumo ao aprimoramento e excelência.

Também assume metas desafiadoras e riscos calculados.

É o contrário de estar estagnado.

4. Otimismo

É capacidade de ver o lado positivo das situações persistindo na busca de seus objetivos apesar dos obstáculos.

Emoções são contagiosas. Ninguém gosta de ficar ao lado de pessoas negativas.

Por isso o otimismo é fundamental para os relacionamentos interpessoais.

5. Adaptabilidade

É a capacidade de agir com flexibilidade às mudanças, recebendo de forma aberta novas abordagens, ideias ou situações.

Mudanças são socos na cara da nossa zona de conforto.

Elas ativam diretamente o nosso Sistema Nervoso Simpático, que nos direciona a reagir de forma reativa.

Só que o mundo e o nosso trabalho está em constante transformação. É melhor abrir o coração para recebê-las.

6. Empatia

É a capacidade de se colocar no lugar do outro, identificar os seus interesses e preocupações a fim de extrair pistas sobre o que ele pode estar sentindo e pensando.

Por exemplo: o garçom trouxe um suco errado para você no restaurante?

Tente entender qual situação levou ao erro.

Será que ele está sobrecarregado? A filha dele está doente? O erro foi da cozinha?

A empatia é uma das habilidades mais poderosas em relacionamentos interpessoais.

7. Consciência Organizacional

É a capacidade de compreender e assimilar as correntes de um grupo de relacionamentos, identificação os influenciadores, suas redes e dinâmicas.

Está diretamente ligada com a cultura e valores de uma empresa ou comunidade.

Por exemplo: empresas de cultura estratificadas e tradicionais versus empresas de cultura inovadora e dinâmica.

Por isso que a identificação com os valores organizacionais se tornou critério para a seleção de candidatos.

Sem match, o candidato não fica. E contratar e demitir gera custos.  

É esta dor que sites como LoveMondays e o 99Jobs procuram resolver.

8. Influência

É a capacidade de gerar impacto positivo sobre os outros, de persuadir e convencer

para obter apoio para suas iniciativas.

Influência está diretamente ligada com capacidade de liderança.

E isso não deve ser feito de forma eficaz ou maquiavélica, mas com compaixão.

Para saber mais sobre influência, recomendo o livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”.

9. Treinamento e Mentoria

É a capacidade de compartilhar conhecimento, promover a aprendizagem ou o desenvolvimento de longo prazo de outras pessoas oferecendo feedbacks, suporte e orientações.

Dar treinamentos e mentorias são atividades que ativam nosso círculo de emoções positivas.  

Ou seja, você ensina mas também se alimenta de boas emoções. E isso custa pouco ou nada e o retorno é gigantesco.

10. Gestão de Conflitos

Habilidade de ajudar outros pessoas a superar situações emocionais tensas ou estressantes.

Para isso, usa-se sensibilidade e bom senso para encontrar soluções a partir de conciliações, concessões e acordos para os desentendimentos.

11. Liderança Inspiradora

É a capacidade de inspirar e contagiar grupos a partir de emoções positivas para extrair o melhor dos outros rumo aos melhores resultados.

A liderança inspiradora se espalha entre as pessoas transmitindo confiança, senso de propósito e unidade.

Desta forma, a equipe se torna mais criativa, espontânea, assume riscos calculados e os resultados aparecem.

12. Trabalho em Equipe

É capacidade de participar ativamente para o desenvolvimento da equipe e alcance de metas individuais e coletivas.

Assim, compartilha-se responsabilidades e recompensas em relação às metas atingidas.

E aí, gostou?

A soma e o desenvolvimento destas 12 habilidades pode levar para o sucesso em qualquer área da sua vida.

Seja no trabalho, em círculos sociais, na prática de esportes, em sua família etc.

Mais do que isso, estas habilidades irão te colocar em um ciclo de emoções positivas, que irá gerar uma espiral ascendente de desenvolvimento, satisfação e até paz interior.

E isso não custa nada. Mas você precisa estar comprometido!

Desenvolva-se!

Ninguém nasce um sábio emocional. As pessoas se desenvolvem ao longo da vida.

Ao longo da vida da pessoa, ela pode ter períodos de desenvolvimento estagnado e outros acelerados.

O desenvolvimento da inteligência emocional não segue um caminho linear.

O certo é que o desenvolvimento será mais rápido conforme o comprometimento da pessoa (habilidade n.3 – Orientação para realização)

E, assim como em finanças, em inteligência emocional é melhor começar atrasado do que nunca começar.

O ideal é nunca ficar estagnado!

Se comprometa com o seu desenvolvimento e resultados maravilhosos certamente aparecerão em todas as áreas da sua vida!

* este foi um dos posts que eu me senti mais motivado e mais me dediquei para escrever. Se ele foi útil para você, peço que faça um sinal de gratidão e compartilhe com outras pessoas. namastê!

Publicado por Vinicius Aguiari

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